As coisas começaram a não fazer muito sentido de novo. Eu não sei o que estou
fazendo - mas até ai, quem sabe? - o que eu quero dizer é... as coisas não estão
fáceis. É parcialmente por conta de dinheiro, mas acho que não é só isso. É um
pouco a realização de que não tem muito mais na vida do que isto e, há algum
tempo atrás, parecia que só isso seria o suficiente, mas não é. Pelo menos,
agora não é. Talvez seja só porque estou sem meus remédios. Eu gosto de estar
sem os meus remédios às vezes. Sinto falta de pensar e sentir. Sentir
profundamente. O problema de sentir profundamente, ou pelo menos, o MEU problema
de sentir profundamente é que não dá para controlar o quão profundo, quanto e
quando sentir, por isso os remédios. Mas às vezes eu sinto falta de me sentir
mais eu e menos, sei lá, mundana. Há! MundAna! Irônico, né?! Tudo que eu mais
queria na vida era ser "normal" e as pessoas adoram dizer que não existe esse
tal "normal", mas existe sim e quando eu tomo as minhas medicações eu me sinto
normal. Vai ver é por isso que eu não me sinto muito eu. Faz parte de mim ser
estranha e profunda, mas infelizmente, também faz parte de mim ser triste, brava
e no geral louca e agressiva. Isso talvez queira dizer que eu
nunca vou poder ser 100% eu para ter a vida que eu acho que eu quero. Não. Não
que eu ACHO que eu quero, que eu QUERO. Porque, eu quero ser feliz, e gentil, e
carinhosa e BOA! Mas é bom, bom saber que ainda está aqui seja lá o que isso for,
esse pedaço de mim que, pelo menos às vezes, eu posso tocar, que de vez em
quando eu posso ser. Tem uma coisa que ouvi em um filme hoje, algo como "o lado
bom de ser estranho é que ninguém espera que você seja como eles" e é verdade.
Quando você é constantemente estranho e diferente é que ninguém liga muito para
você ou o que você faz. Às vezes é ruim e, às vezes, é bom. Só que você se
acostuma a não ser levado a sério e quando precisa que o que faz ou o que diz
seja levado em consideração é difícil. É preciso se enquadrar para viver
bem e ganhar bem. "Ser você mesma nunca vai ser o suficiente", é o que eu penso
lá no fundo, que eu nunca vou poder ser eu mesma para ter sucesso no vida e é
claro que eu tenho os meus momentos de rebeldia, mas existe uma tênue linha onde
você pode caminhar com estes atos sem ser completamente escrachada e isolada, um
limite do qual não se pode passar, um limite até o qual você é útil e, por isso,
você é livre. Mas depois dali... é cada um por si. Então, eu não sei o que eu
quis dizer com tudo isso, mas obrigada, estou me sentindo melhor. Agora só falta
chorar.
Texto autoral
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